Archive for March, 2011

15
Mar
11

Be the best

Olá Olá

Passada a folia momesca, a rotina volta a se instalar… e meu Blog agradece.
Não que o carnaval tenha me impedido de escrever aqui, mas as atividades pré- carnaval tomaram meu tempo e só me devolveram ontem.

Enfim, cá estou.
Para quem não sabe, participo de um programa semanal de rádio, à convite da minha mais que querida amiga, Dina Rachid.
O Comes e Bebes é um programa que aborda a enogastronomia, com participação de sommeliers, enólogos, mâitres, donos de restaurantes, bares e gente interessante e colorida que faz parte desse universo.

Tenho aprendido muito nesses quase um ano de Comes e Bebes.
E, uma coisa que é constantemente abordada é o atendimento.
Infelizmente, devo dizer, somos campeões do mal atendimento. Não vou tratar das exceções – que graças à Deus – existem.

Vou tratar da regra…
Para todo e qualquer serviço, o mal atendimento impera na Bahia. Isso vai de uma simples pesquisa orçamentária, até o atendimento final.

Tento entender as razões que levam à perpetuação dessa situação que contradiz o bom e velho ditado: “Quem não tem competência, não se estabelece”… porque o que eu mais vejo é gente pra lá de incompetente estabelecida.

O que há de errado nessa equação, então ?
Nós, os consumidores, não estamos cumprindo nosso papel.
Antes de me aprofundar vou relatar uma parte de minha história, bem rapidamente.

Para quem não sabe, morei nos Estados Unidos, mais precisamente em Nova York, durante 4 anos. Foi – sem sobra de dúvidas – a melhor experiência de minha vida e a mais transformadora.
Eu, mocinha bem formada, estudada, quase uma “patricinha soteropolitana”… trabalhando de babá ????

Sim, de babá.
Fui parar em Nova York, depois de uma breve passagem por Miami, na casa de um primo que na época morava em Miami e trabalhava na HBO Latin. Uma amiga nossa em comum, morava em NY onde dividia apartamento com uma equatoriana – Johanna, e ela trabalhava como secretária para um casal americano.

To make a long story short, fui trabalhar para essa família, durante os finais de semana, cuidando das 3 ¹/² crianças… 3 crianças e uma na barriga da mãe. Em menos de 4 meses, eram 4 crianças. A mãe era francesa e o pai um business man… em 2006 foi listado entre as 500 pessoas mais ricas do mundo.

Isabelle, mãe das crianças e minha chefe me lembra Miranda – a personagem de Meryl Strip em O Diabo Veste Prada, com a diferença de que ela não tinha tanto bom gosto assim.. Anyway, nas primeiras semanas de trabalho, eu como boa brasileira, chegava atrasada aqueles 5 ou 10 minutinhos de praxe.
No terceiro dia do meu atraso, ela me aguardava na porta e me disse: 4pm não é 4:05, 4:10, e muito menos 4:15… portanto se atrasar amanhã, volta pra casa.

=x
Pois é, minha gente. Durante os quatro anos que morei em Nova York e que trabalhei com eles, meu relógio estava sempre meia hora adiantado, para evitar eventuais atrasos.
Bem, a partir daquele dia, decidi que se era pra ser Babá, seria a melhor babá que eu pudesse ser… éramos 3 e mais a cozinheira, que era brasileira também.

Em menos de um ano, eu “cresci na empresa” e fui promovida à governanta da casa. E por conta disso, viajei com a família para Europa (França, Espanha e Itália – conheci Veneza me hospedando no Cipriani de lá…), Colorado, Anguilla no Caribe (pelo menos 5 vezes…)… Organizava jantares, viagens e compras da familia… enfim… parece sopa no mel, mas não era, não. Trabalhava às vezes 15 horas por dia e quase não tinha vida própria.
Resultado: Quando decidi voltar, Isabelle me deu de presente um curso de Especialização em Marketing de Entretenimento e Eventos pela New York University (mega presentão!!!)

Voltei à NY algumas vezes depois disso, e sempre fico na casa deles, como hóspede e sou como uma tia para as crianças – que já não são tão crianças assim, são adolescentes. Minha relação com Isabelle (a mãe) se tornou muito próxima, e aprendi muito com ela, que é uma pessoa muito inteligente e exigente.

Foi um esforço em nome de uma experiência que me ensinou dentre muitas coisas, a ser uma cidadã melhor e mais consciente.

Não importa qual o resultado do meu esforço, o que importa é o esforço empenhado. Ambição é qualidade quando aplicada na justa medida. Não estou falando de ganância. Ambição pautada pela ética e retidão, não importando o quanto às vezes se possa parecer um bobão… é sempre recompensada.

Voltando à questão inicial, vejo que falta essa ambição saudável, esse desejo de eu quero – e posso – ser melhor do que eu sou hoje. Não se trata de ser melhor do que fulano ou cicrano, mas ser melhor do que sou hoje, andar a “extra mile”, que no final do dia é o que faz a diferença.
Temos OBRIGAÇÃO de ser melhor ao sair de um emprego, do que do dia que começamos nele. Senão, estamos estagnados, sem aprender nada…

Há uma má vontade, uma preguiça de pensar nos serviços prestados na Bahia, que me deixa aborrecida. É sempre a Lei do mínimo esforço. Todo mundo quer entrar no BBB ou ganhar na Mega Sena pra virar milionário da noite para o dia. Todo mundo quer ter “uma ponta” pra ganhar por fora… Passamos por uma crise ética profunda… Estamos na época do ” quero ter para parecer que sou…”
Isso é claramente percebido por conta da inclusão digital… todo mundo tem câmera digital pra postar fotos nas redes sociais… Marketing de Felicidade é melhor que ser feliz… Será ?

Estamos esquecendo de SER mais inteiros e íntegros. Estamos deixando para trás a importância da leitura de um bom livro de poesia, de filosofia, de artes, de contos e crônicas… Não estamos abastecendo a Alma, que no final das contas é que temos para todas as coisas e relações. Pode fingir e mentir o quanto quiser, porque chega o dia que a casa (e a máscara) cái.

Veja, amo a internet. É um manancial com um potencial incrível, sempre digo que o Twitter é minha mídia preferida por ser tão democrática, mas tenham CERTEZA que não me limito à isso. Quem pensa que sou apenas o que posto no twitter ou no face, está enganado. Acho que ninguém é só uma coisa… a não ser que queria. Somos ricos, profundos, inesgotáveis…

Quem limita é nossa ignorância, preguiça e acomodação.
Pense nisso na hora de atender um cliente de má vontade, e de não reclamar do mal atendimento que prestam à você. Às vezes, sua reclamação é que vai ser o gatilho transformador da vida de uma pessoa, assim como Isabelle – minha ex-chefe de NY – transformou definitivamente minha vida.

Cartas para redação.
Bjo, me twitta
@patmguerra

Ps. Na foto eu e minhas colegas de trabalho de Nova York.